Estudante de Macau quer ensinar Português 

Eduardo

Ao longo de dois anos, Eduardo Lei estudou na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), no âmbito de uma parceria estabelecida entre o Politécnico de Leiria (IPLeiria) e o Instituto Politécnico de Macau (IPM), na Licenciatura em Tradução e Interpretação Português/Chinês – Chinês/Português (TIPC). Os estudantes do IPLeiria têm a oportunidade de estudar o 1.º e 4.º ano em Leiria, o 2.º em Pequim (na Beijing Languages and Cultures University) e o 3.º ano em Macau (no Instituto Politécnico de Macau), os estudantes do IPM realizam o 1.º e o 4.º ano em Macau, e o 2.º e 3.º ano, em Leiria.

O Eduardo nasceu em Macau, tem passaporte português, mas admite que só começou a saber mais sobre Portugal a partir do momento em que decidiu aprender a língua de Camões. O seu interesse pela língua despertou com as constantes referências que encontra por Macau no seu quotidiano. «Existem muitas coisas nesta cidade que são escritas em Português, tais como as ruas e a legislação», observou em declarações ao Jornal Tribuna De Macau (JTM). Macau recebeu a transferência de soberania apenas em 1999 e o Português continua a ser uma das línguas oficiais do território. O nosso antigo estudante lamenta que seja falada por poucas pessoas, por essa razão, ser professor de Português é um dos seus sonhos.

O seu primeiro contacto significativo com o Português ocorreu durante o ensino secundário, quando a língua era uma disciplina obrigatória. «O meu professor de português inspirou-me muito», confessa. Mais tarde, apesar da disciplina se ter tornado opcional, quis continuar com a disciplina.

O ingresso na licenciatura em TIPC prendeu-se muito com a vontade de «abrir horizontes» e conhecer mais uma «cultura diferente da sua». Na sua passagem pelo IPLeiria, Eduardo participou numa iniciativa onde os estudantes de TIPC se juntaram aos estudantes de Relações Humanas e Comunicação Organizacional (RHCO) para uma experiência socio-cultural de integração, onde partilharam a cultura musical, a gastronomia, jogos culturais, a língua e a cultura Portuguesa e Chinesa em geral.

Eduardo pretende seguir a carreira de professor de Português e para concretizar essa aspiração vai ter a oportunidade, no Verão, de melhorar os seus conhecimentos linguísticos no Rio de Janeiro, como voluntário dos Jogos Olímpicos. A “aventura” já tem datas marcadas: partirá de Macau em Julho para regressar em setembro.

Para passar do sonho à realidade, Eduardo Lei garante que tem-se esforçado desde o ensino secundário. Fruto de toda a sua dedicação, foi selecionado para participar num curso de Verão, organizado pela Direção dos Serviços de Educação e Juventude. Graças a esse “prémio”, surgiu a oportunidade de conhecer Portugal pela primeira vez. «Fiquei durante um mês em Portugal, o que me ajudou ainda mais a decidir que é este o caminho que quero seguir profissionalmente», salientou.

Além do interesse pelo Português, Eduardo Lei gosta também de participar em ações de voluntariado, uma atividade que frequenta desde os 15 anos de idade. «Trabalho como voluntário no Centro dos Estudantes do Ensino Superior», conta, acrescentando que, paralelamente, ensina Português a alunos da Escola Concórdia para o Ensino Especial, no NAPE, que apresentam dificuldades na aprendizagem.

Votos dos maiores sucessos!

Notícia do Jornal Tribuna de Macau