Solução biotecnológica para a produção sustentável de ingredientes cosméticos
Projeto da Universidade de Leiria e Oeste vence final nacional do Poliempreende
O projeto Salinexis, desenvolvido por uma equipa da Universidade de Leiria e Oeste (ULO) com o objetivo de criar uma solução biotecnológica para a produção sustentável de ingredientes cosméticos a partir de recursos costeiros de Peniche, foi o grande vencedor do concurso nacional do Poliempreende.
Depois de vencer a fase regional, realizada em junho, o projeto voltou a destacar-se na final nacional, realizada no passado dia 3 de setembro, na Universidade do Algarve, que reuniu as equipas vencedoras das instituições integrantes da rede do Poliempreende.
A Salinexis propõe uma solução biotecnológica para a produção sustentável, padronizada e escalável de biomassa e compostos bioativos de origem costeira, destinados à indústria cosmética.
A solução assenta na tecnologia de cultivo celular vegetal, que permite produzir estes compostos em ambiente controlado, assegurando maior consistência, rastreabilidade e independência face à sazonalidade das matérias-primas naturais. A investigação tem como ponto de partida o funcho-marítimo (Crithmum maritimum), planta presente nas falésias de Peniche e com características de interesse para aplicações nas áreas da cosmética e do bem-estar.
Numa primeira fase, a equipa pretende estabelecer e otimizar o cultivo laboratorial e validar as propriedades dos compostos produzidos, avançando posteriormente para o desenvolvimento tecnológico. Num horizonte de cerca de 48 meses, o objetivo é dispor de um portefólio de produtos e capacidade de produção à escala piloto.
“Este prémio é o reconhecimento de que a ideia e o conceito têm um elevado potencial de crescimento e desenvolvimento industrial. É para nós muito gratificante perceber que estamos a iniciar este trilho com grande ambição e motivação, com um objetivo claro de criar valor com impacto para a região e para a sociedade”, afirma a equipa, constituída por Celso Alves, Joana Silva e Thalisia Cunha, investigadores do MARE-ULO, e Diogo Cardoso, estudante de Biotecnologia da Escola de Turismo e Tecnologia do Mar da ULO.
O projeto surgiu como resposta à procura crescente da indústria cosmética por ingredientes naturais diferenciadores, num contexto marcado pela sazonalidade e variabilidade das matérias-primas e pela dificuldade em garantir consistência na produção. Através de biorreatores e condições controladas, a solução pretende assegurar produtos com qualidade constante, reduzindo também a dependência da recolha de matéria-prima diretamente da natureza.
A equipa está também a avaliar a possibilidade de criação de uma spin-off ou startup com origem no CETEMARES.
