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“FOTOGRAFIAS DE RODAGEM DO CINEMA PORTUGUÊS” – Exposição itinerante da Cinemateca Portuguesa
Biblioteca Campus 3 (ESAD.CR) | 18.02 a 29.03.2019 | ENTRADA LIVRE

A Biblioteca do Campus 3 (ESAD.CR) acolhe a exposição itinerante da Cinemateca Portuguesa “Fotografias de rodagem do cinema português”, que estará patente de 18 de fevereiro até 29 de março de 2019.
Esta exposição foi concebida para as comemorações do Centenário do Cinema Português e apresentada pela primeira vez no Festival de Cinema de Curtas Metragens de Vila do Conde, em 1996, tendo desde então percorrido o nosso país.

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Fotografia: Pedro Cá (ESAD.CR)

 

FOTOGRAFIAS DE RODAGEM DO CINEMA PORTUGUÊS

Composta exclusivamente com material pertencente ao Arquivo Fotográfico da Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, esta exposição parte de uma constatação prática: seria impossível organizar uma exposição de fotografias de rodagem que cobrisse toda a história do cinema português, pela simples razão de não existir documentação fotográfica abundante e de qualidade sobre as rodagens de todos os períodos. Existe muito pouco material sobre o período dos primórdios e o período mudo em geral. E também existe pouco material sobre o período mais recente, pela simples razão do fotógrafo de cena estar a desaparecer do cinema português. Estes períodos estão representados nesta exposição, porém os dois períodos sobre os quais existe material mais abundante são o Cinema Novo, nos anos 60, e sobretudo o que deve ser considerado o período clássico do cinema português, os anos 30 e 40. Dois tipos de cinema extremamente diferentes, um de índole populista a que não faltava o “star system” e cuja vocação declarada era o entretenimento, o outro em ruptura com estas noções, com os homens que as representavam e com a sua ideologia, que marca a chegada do cinema moderno a Portugal.

No entanto, mais do que a vontade de traçar uma historiografia do cinema português, a escolha foi guiada pela variedade de momentos característicos de uma rodagem que estas fotografias contêm: a complicada preparação de um movimento de câmara, a presença de um actor prestes a transformar-se no seu personagem, os bastidores de um cenário, a construção de um ambicioso cenário de estúdio, a desolação de certos cenários naturais (pó, lama…), o contraste entre o trabalho em estúdio e em cenários naturais (o contraste entre dois tipos de cinema), os interiores filmados em exteriores nos heróicos tempos do mudo, o realizador reinando sobre a equipa, de megafone em punho, o realizador com o olho no visor, a claquette, e também o tédio da longa espera entre dois takes, a manipulação física da película como matéria-prima, na fase da montagem, a presença dos assistentes e dos técnicos, aqueles operários do cinema cujo nome e cujo rosto o público sempre desconhece.

As fotografias de rodagem não são fotografias de filmes, não contêm nunca imagens do filme, mesmo quando o enquadramento é o mesmo, apenas e por vezes alguns daqueles elementos do complicado e estafante artesanato que é uma rodagem (quem já pôs os pés numa rodagem sabe quantas horas de trabalho são necessárias para alguns minutos de película impressa) e que permitem identificar um filme. Quem conhecer o cinema português não terá dificuldade em reconhecer certos rostos nestas fotografias, realizadores, actores, alguns técnicos. Mas sobretudo, entre fotografias claramente “de pose” e outras que são certamente “instantâneos”, entre o ar senhoril de certos realizadores e o ar mais informal de outros, esta exposição permite-nos refazer, através de um fio narrativo, diversas etapas de um trabalho que a passagem do tempo e o estatuto da fotografia transformaram noutra coisa. Há poucos grupos humanos mais fechados do que uma equipa de filmagem. Numa exposição como esta, diversos destes grupos são desfeitos e refeitos, para o puro prazer do visitante.

António Rodrigues (in Catálogo do 4º Festival Internacional de Curtas Metragens de Vila do Conde – 1996)