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ESAD.CR

CHAMADA DE TRABALHOS
JORNAL#12

EDITORA CONVIDADA SÓNIA NEVES

Isabelle Mège é uma modelo amadora francesa que passou vinte e dois anos a convencer oitenta fotógrafos profissionais, incluindo algumas mulheres, a representá-la. Fechou o ciclo em 2008, reunindo mais de cem retratos que mantém na sua colecção. Conectada e conhecedora das matérias da fotografia, ela ritualizava o contacto a partir de uma escolha pessoal, expressa na carta manuscrita que usava como instrumento de negociação e contrato intelectual. Nela designavam-se as regras para o set fotográfico, a exigência da prova de autor, o direito à imagem, ou mesmo o direito de veto. Estudiosa da obra do operador, desenhou um encontro onde corpo e linguagem se fundiam: conhecia os ângulos, a luz e as limitações de cada um.
Ao retrato, junta-se a escrita de diários, onde exprime as tensões e sensibilidades da colaboração no estúdio, num exercício primordial de consciência da sua prática e fenomenologia pura da experiência de se ser observado. Mège montou uma colecção para sustentar esse processo de vir-a-ser imagem. Desconsiderou ser artista e, no entanto, produziu um gesto profundamente artístico. Não controla a câmara, mas controla a condição de aparecimento. Usou os outros como meio, sem se submeter. Habita o «entre» (entre olhares, entre papéis), constrói sem se declarar.

Escapa. Vive outra coisa. Age.

ERRATA
É desse desvio que o número 12 do jornal se inicia. Uma errata encarnada: uma vida que já é correcção silenciosa de um sistema. Existem práticas que não se deixam fixar, que permanecem fora e que não pedem lugar. A errata é uma intervenção posterior, mínima, uma reescrita que não reescreve tudo. Importa aquilo que escapa, o que falha, o que se desvia das formas dominantes de visibilidade e legitimação, como gestos de deslocamento. Pensar o erro como potência e lugar de abertura. Pensar a margem, porque a errata vive sempre fora do corpo principal. Partimos da hipótese de que existem práticas que operam no avesso. Que não se afirmam pelo centro. Que não procuram fixação. Que se sustentam no entre. Um espaço onde a prática se confunde com modos de vida. Onde a autoria se dilui. Onde o gesto permanece em trânsito. Interessa convocar práticas indisciplinares, desviantes ou difíceis de nomear, seja através do silêncio, da opacidade, da deriva ou de formas alternativas de presença.

CALENDÁRIO: 

11 de Junho 2026 – Prazo para entrega de artigos. 
Setembro de 2026 – comunicação dos artigos selecionados
Novembro de 2026 – lançamento do jornal 12. 

COMO SUBMETER

https://www.jornalitsaduck.pt/