Investigação do Politécnico de Leiria desenvolve solução sustentável para combater fogo bacteriano na Pera Rocha
Uma equipa de investigadores do Politécnico de Leiria está a desenvolver uma solução inovadora e sustentável para combater o fogo bacteriano, doença provocada pela bactéria Erwinia amylovora que afeta a produção de Pera Rocha na região Oeste e tem causado elevados prejuízos ao setor frutícola nacional.
A investigação é liderada por Carina Félix, investigadora do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente no Politécnico de Leiria, e procura desenvolver um tratamento biológico a partir da alga vermelha invasora Asparagopsis armata. O projeto integra ainda o investigador Marco Lemos e a investigadora Alexandra Lopes, entre outros colaboradores científicos.
A investigação surgiu no âmbito da iniciativa internacional ORCHESTRA, dedicada à exploração de compostos bioativos de algas da costa portuguesa para aplicações agrícolas, e revelou resultados promissores desde as primeiras fases laboratoriais. Em ambiente controlado, o extrato da alga demonstrou capacidade para inibir em 97% o desenvolvimento da bactéria responsável pela doença.
Após os resultados laboratoriais, a equipa avançou para testes em contexto real, realizados com o apoio da Associação de Produtores Agrícolas da Sobrena, no concelho do Cadaval. Os ensaios decorreram durante o período de floração, fase particularmente vulnerável para os pomares de Pera Rocha, permitindo avaliar a eficácia do tratamento em condições naturais.
Os resultados obtidos confirmaram o potencial da solução desenvolvida, evidenciando uma recuperação da produtividade nas árvores tratadas quando comparadas com árvores não intervencionadas.

Paralelamente, os investigadores verificaram que a aplicação do extrato não comprometeu a qualidade da fruta nem apresentou sinais de toxicidade.
Além do potencial agrícola, o projeto apresenta igualmente uma componente ambiental relevante, ao valorizar uma espécie invasora com impacto negativo nos ecossistemas costeiros. A utilização da biomassa da alga contribui, assim, para a remoção da espécie do meio natural e para a sua transformação num recurso com valor acrescentado para a agricultura.
A equipa de investigação prepara-se agora para uma nova fase de ensaios, com o objetivo de otimizar as quantidades aplicadas e aperfeiçoar a metodologia de utilização do tratamento, reforçando o contributo do Politécnico de Leiria para o desenvolvimento de soluções inovadoras, sustentáveis e com impacto direto no território e nos setores produtivos nacionais.