Investigadores do Politécnico de Leiria e Instituto de Telecomunicações desenvolvem tecnologia de IA para apoio ao Diagnóstico do Cancro da pele

Projeto PlenoISLA em destaque

Uma equipa de investigadores da delegação do Instituto de Telecomunicações (IT-IPLeiria) sediada na Escola Superior de tecnologia e Gestão do Politécnico de Leiria quer criar uma ferramenta para apoiar os dermatologistas no diagnóstico de lesões cancerígenas na pele, nomeadamente o melanoma.

O processo passa por captar imagens, com recursos a câmaras específicas, de uma lesão na pele, depois armazenadas num computador e, através de uma aplicação computacional, é feita a classificação da lesão como melanoma ou não melanoma em poucos segundos. Esta investigação teve início no projeto PlenoISLA, iniciado em 2018, o qual ganhou esta designação por “utilizar uma tecnologia de câmara plenótica” que, com um disparo, consegue obter “81 fotos de diferentes perspetivas”, permitindo “reconstruir a informação tridimensional da lesão”.

Agora, o projeto pesquisa, com recurso a duas câmaras hiperespectrais, que tiram cerca de 100 fotografias, “informação na gama do infravermelho”, complementando o trabalho inicial. O coordenador da delegação do IT-IPLeiria, Professor Sérgio Faria, adiantou que “não existe, a nível mundial, nenhum conjunto de imagens obtidas da informação ‘hiperspectral’ [na gama do infravermelho]”.

A equipa de investigação submeteu pedidos ao Hospital de São José e Fundação Champalimaud, ambos em Lisboa, para a recolha de imagens de lesões na pele.

“Isto leva bastante tempo, mas, se houver outras instituições nesta área que nos possam ajudar e que pretendam que se construa um estudo mais alargado, com mais informação, para nós é extremamente útil”, declarou.

De acordo com o coordenador, “para o treino de algoritmos de inteligência artificial” é necessário “um número muito elevado de imagens”. “Precisamos de muito mais imagens para que o algoritmo aprenda bem a distinguir as características de uma lesão maligna”, esclareceu.

O projeto integra investigadores do Instituto de Telecomunicações e médicos de diferentes hospitais.